Impeach

Brasil‬: Um golpe de Estado (i)legal?

Quando a câmara dos deputados votou pelo início do “impeachment” da Dilma, escrevi aqui um texto sobre as lições que se podiam tirar deste episódio.

Ninguém podia duvidar que o processo ia mesmo avançar no Senado e que Michel Temer assumiria o cargo. O que quero aqui levantar são três (3) possíveis cenários que se esperam do Brasil pós-Dilma (180 dias).

Dilma deixa o Palácio do Planalto pela porta principal, em um gesto explícito que significa que ela acata, mas não aprova a decisão.

O Brasil, que neste momento deveria andar nas bocas do mundo por acolher os primeiros Jogos Olímpicos da América Latina dentro de três meses, surge perante o resto do mundo como um país tomado pelo caos político:

1. Com Temer na presidência do Brasil não se podem antever grandes mudanças a curto prazo, visto que a forma como chega ao poder (embora legal) criou muitas crispações e não se antevê fácil vida para ele – pressão social e crise económica aguda;

2. A composição do seu Governo pode acentuar o nível de crítica contra o racismo disfarçado e sexismo camuflado que se vive no Brasil, visto que o executivo de Temer é composto só por homens e não há negros, isso quando faltam dois lugares por completar. Publicou-se no diário oficial, a medida provisória que extingue os Ministérios da Cultura, das Comunicações, das Mulheres, Igualdade racial e Direitos humanos;

3. Temer e seu executivo não vão escapar do processo de “lava jato”, visto que no actual Governo há 7 nomes implicados no processo de corrupção e tráfico de influências – dos 81 senadores, 49 deles são investigados por crimes que vão da lavagem de dinheiro, corrupção ao tráfico de drogas.